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19/12/08 - 10h15 - Atualizado em 19/12/08 - 10h55

Sindicato defende criação de bois na reserva Chico Mendes

Associação de trabalhadores rurais critica operação do Ibama no local.
Instituição diz que extrativismo não gera renda suficiente.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Poucos dias antes da morte de  Chico Mendes completar 20 anos, o sindicato que foi fundado e presidido por ele em Xapuri (AC) publicou uma nota defendendo a criação de gado dentro da reserva que leva o nome do seringueiro.

 

Em repúdio a uma fiscalização do Ibama realizada na reserva extrativista Chico Mendes, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC) publicou, nesta quinta-feira (18), um manifesto em que critica o prazo dado para que criações de gado fossem retiradas da área, e defende a criação de bois como forma de complementar a renda dos seringueiros.

“Nestes dezoito anos de criação da Reserva não existe uma política que garanta uma renda para os seringueiros viverem com dignidade exclusivamente da produção extrativista”, diz o primeiro item do documento.

Segundo João Alves da Silva, um dos diretores do sindicato, o preço da borracha e da castanha – produto que também pode ser extraído da reserva – são muito baixos. “A borracha custa R$ 4,10 quando está limpa [cozida]. Uma família consegue obter cerca de 200 quilos, dependendo do lugar em que ela estiver. Mas isso em alguns meses do ano. No período de dezembro a março não dá para colher. A castanha, com casca, é vendida por R$ 10 a lata de 20 litros”, informa. 

Gado e desmatamento

A fiscalização do Ibama começou em 25 de novembro, e visa coibir a derrubada da mata para criação de gado. Segundo o instituto, há mais de 10 mil animais vivendo dentro da área reserva. Para abrigar tantos bois, o desmatamento dentro da área protegida já atinge 450 quilômetros quadrados – cerca de um terço do município de São Paulo.

Segundo o chefe da reserva, Sebastião Santos da Silva, há um limite de 30 cabeças de gado para cada lote dentro da reserva. As famílias que passaram desse limite foram notificadas pelo Ibama e têm que retirar os animais em 60 dias, além de pagar multa pelo desmatamento além do permitido. Quem não é seringueiro e estava ocupando a área irregularmente terá que deixar o local. “Aos colonos vai ser dada a possibilidade de se adequarem”, explica Silva.

Para o diretor do sindicato de Xapuri, o prazo curto para a retirada do gado faz com que os preços caiam muito, e os moradores tenham prejuízos. “Eles não fiscalizaram antes, e agora querem que desocupe a área em 60 dias. Aí o comprador coloca o preço lá embaixo. Achamos que teria que haver uma conscientização por um período mais longo”, reclama.

O chefe da reserva rebate dizendo que está seguindo a lei. “Os prazos são estabelecidos na legislação. A multa também é estabelecida por um decreto. A multa do desmatamento, por exemplo, é de R$ 5 mil por hectare, ou R$ 10 mil quando ocorre em unidade de conservação [como é o caso]”.

Como há famílias que desmataram dezenas de hectares, as multas aplicadas chegam a centenas de milhares de reais. Para o sindicalista João Alves, os moradores não têm capacidade de pagar as autuações. “Mesmo vendendo todo o gado, não se consegue pagar essas multas”, afirma.

 

Segundo Silva, as reclamações do sindicato representam uma pequena parte dos moradores. "Temos 80% das pessoas vivendo do extrativismo e vivendo dignamente. Migrar para a pecuária foi o jeito mais fácil que [os que reclamam]encontraram de ganhar dinheiro", diz.

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