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26/12/08 - 15h30 - Atualizado em 26/12/08 - 15h48

Depois de megafiscalização, madeira ilegal volta a circular em cidade do PA

Reportagem flagrou transporte de madeira sem autorização em Tailândia.
Estado do Pará conta com 107 fiscais para área de 1,2 milhão de km².

Do Globo Amazônia, com informações do Bom Dia Brasil

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É difícil viajar pelo interior do estado do Pará sem se transformar em testemunha da devastação da floresta. São serrarias ilegais e carvoarias clandestinas espalhadas por todos os lugares. O nordeste do estado – uma das áreas mais arrasadas da Amazônia – é lugar onde o crime ambiental se repete diariamente.

 

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No município de Tailândia, onde a Polícia Federal e o Ibama fizeram uma das maiores apreensões de madeira da história no início de 2008, os pátios das madeireiras estão lotados. Na cidade, existe até uma estrada em que, à luz do dia, caminhões e mais caminhões transportam toras extraídas da mata sem autorização. Alguns caminhões não têm nem placas. Em outros, a cabine é de madeira.

Pelo terceiro ano seguido, o Pará lidera o desmatamento na Amazônia. De acordo com o último levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em um ano foram destruídos no estado 5.180 quilômetros quadrados de mata. A área corresponde a cinco vezes o tamanho do município de Belém e representa 43% do total desmatado no ano na Amazônia. 

 

As autoridades reconhecem: a fiscalização é falha. A secretaria estadual de meio ambiente não está presente nem em 10% dos 143 municípios do Pará. “Hoje nós estamos presentes em cinco municípios, que são municípios pólos do estado do Pará. Para o ano que vem, deveremos estender para outros dez municípios”, promete o secretário estadual de Meio Ambiente do estado, Valmir Ortega.

Segundo o Ibama, são 1.520 fiscais em todo o país e apenas 107 no Pará. “Imagino que pelo menos dez vezes isso seria um bom número para a gente se fazer presente no Pará”, calcula o coordenador de fiscalização do Ibama estadual, Leandro Aranha.

E os problemas não param por aí. “Sabemos que existe um mercado ilegal de autorizações e de esquentamento de madeira na Região Amazônica”, diz o diretor do Programa Amazônia da ONG Conservação Internacional, Adrian Antônio Garda.

O sistema de comercialização e transporte de produtos florestais do governo do Pará pode ser acessado pelo computador e tem brechas que são utilizadas por hackers e madeireiros desonestos para regularizar madeira ilegal.

O Ibama afirma que desde outubro descobriu 41 empresas fantasmas que atuavam no Pará. Uma delas, de Novo Progresso, no sudoeste do estado, faturou em menos de um ano R$ 15 milhões e vendeu o equivalente a 230 caminhões de madeira ilegal. Está sendo apurada a participação de funcionários públicos nesta e em outras fraudes.

“Temos problemas de corrupção interna em órgãos ambientais que está sendo investigada pela Polícia Federal. Tenho certeza que em breve teremos alguma solução para este tipo de atividade clandestina”, confirma o superintendente do Ibama no Pará, Aníbal Picanço.

Um empresário que denunciou desmatamentos ilegais e que não quer se identificar afirma que a corrupção entre os servidores compromete a fiscalização. “O Ibama, infelizmente, faz vista grossa a essas irregularidades porque [os fiscais] são movidos a dinheiro. Pegam propina”, acusa.

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