É difícil viajar pelo interior do estado do Pará sem se transformar em testemunha da devastação da floresta. São serrarias ilegais e carvoarias clandestinas espalhadas por todos os lugares. O nordeste do estado – uma das áreas mais arrasadas da Amazônia – é lugar onde o crime ambiental se repete diariamente.
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No município de Tailândia, onde a Polícia Federal
e o Ibama fizeram uma das maiores apreensões de madeira da
história no início de 2008, os pátios das madeireiras estão
lotados. Na cidade, existe até uma estrada em que, à luz do dia,
caminhões e mais caminhões transportam toras extraídas da mata
sem autorização. Alguns caminhões não têm nem placas. Em outros,
a cabine é de madeira.
Pelo terceiro ano seguido, o Pará lidera o
desmatamento na Amazônia. De acordo com o último levantamento do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em um ano
foram destruídos no estado 5.180 quilômetros quadrados de mata.
A área corresponde a cinco vezes o tamanho do município de Belém
e representa 43% do total desmatado no ano na Amazônia.
As autoridades reconhecem: a fiscalização é falha. A secretaria
estadual de meio ambiente não está presente nem em 10% dos 143
municípios do Pará. “Hoje nós estamos presentes em cinco
municípios, que são municípios pólos do estado do Pará. Para o
ano que vem, deveremos estender para outros dez municípios”,
promete o secretário estadual de Meio Ambiente do estado, Valmir
Ortega.
Segundo o Ibama, são 1.520 fiscais em todo o país
e apenas 107 no Pará. “Imagino que pelo menos dez vezes isso
seria um bom número para a gente se fazer presente no Pará”,
calcula o coordenador de fiscalização do Ibama estadual, Leandro
Aranha.
E os problemas não param por aí. “Sabemos que
existe um mercado ilegal de autorizações e de esquentamento de
madeira na Região Amazônica”, diz o diretor do Programa Amazônia
da ONG Conservação Internacional, Adrian Antônio Garda.
O sistema de comercialização e transporte de
produtos florestais do governo do Pará pode ser acessado pelo
computador e tem brechas que são utilizadas por hackers e
madeireiros desonestos para regularizar madeira ilegal.
O Ibama afirma que desde outubro descobriu 41
empresas fantasmas que atuavam no Pará. Uma delas, de Novo
Progresso, no sudoeste do estado, faturou em menos de um ano R$
15 milhões e vendeu o equivalente a 230 caminhões de madeira
ilegal. Está sendo apurada a participação de funcionários
públicos nesta e em outras fraudes.
“Temos problemas de corrupção interna em órgãos
ambientais que está sendo investigada pela Polícia Federal.
Tenho certeza que em breve teremos alguma solução para este tipo
de atividade clandestina”, confirma o superintendente do Ibama
no Pará, Aníbal Picanço.
Um empresário que denunciou desmatamentos ilegais
e que não quer se identificar afirma que a corrupção entre os
servidores compromete a fiscalização. “O Ibama, infelizmente,
faz vista grossa a essas irregularidades porque [os fiscais] são
movidos a dinheiro. Pegam propina”, acusa.

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