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27/12/08 - 18h29 - Atualizado em 27/12/08 - 18h34

Procurador alerta para possibilidade de novas prisões de grileiros no Pará

Fazendeiro acusado de mandar matar Dorothy Stang foi preso nesta 6ª.
Grileiros devem 'colocar as barbas de molho', diz o procurador Felício Pontes.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O procurador da República Felício Pontes disse que os grileiros que atuam no Pará devem “colocar as barbas de molho”, após a prisão de Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, em sua casa em Altamira (PA) nesta sexta-feira (26). A informação é da Agência Brasil.

 

Galvão é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária Dorothy Stang. O procurador disse à Rádio Nacional da Amazônia que outros casos estão sendo investigados e que a expectativa é de que mais grileiros possam ser presos.

“Conseguimos com o Regivaldo pegar o peixe maior do ponto de vista econômico. A mensagem que fica é que se conseguimos prender o fazendeiro de maior poder econômico nessa região, é claro que os outros devem ficar com as barbas de molho”, disse Pontes, segundo nota da Agência Brasil.

 

Felício Pontes afirmou que a absolvição em segundo julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, e também acusado de envolvimento no assassinato de Dorothy Stang, incentivou outros fazendeiros da região a tentar grilar terras onde estão assentados colonos. No primeiro julgamento, Bida havia sido condenado a 30 anos de prisão.

“Essas pessoas estão colocando em cheque o próprio programa de reforma agrária do governo federal. Não tem como fazer com que um colono consiga produzir se ele está ameaçado o tempo todo de ser despejado de sua terra”, disse o procurador.

 

Lote 55

 

A prisão preventiva de Galvão, ordenada pelo juiz federal Antonio Carlos de Almeida Campelo, foi pedida pelo Ministério Público Federal (MPF), após a descoberta de que ele estava novamente tentando tomar posse do lote 55, em Anapu (PA).

Segundo a Procuradoria da República do Pará, trata-se de uma área de três mil hectares, que foi grilada por ele no final dos anos 1990 e pela qual um grave conflito fundiário se instalou, culminando com a morte da freira, em 2005.
Desta vez, as acusações são de grilagem e estelionato. De acordo com a procuradoria, o fazendeiro chegou a ficar preso durante mais de um ano, mas foi solto em 2006 por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), aguardando o julgamento em liberdade até o momento.

“O compromisso do MPF com a população de Anapu é garantir que os grileiros nunca mais se aproximem das terras públicas, que são posse legítima dos trabalhadores rurais. É preciso máximo rigor com os conflitos fundiários, porque são a causa de tragédias como a morte da irmã Dorothy”, declarou Felício Pontes Júnior, procurador da República. 

Crime

 

Segundo a procuradoria, após a prisão do fazendeiro, o inquérito da PF que investiga a grilagem pode originar um processo criminal do MPF contra Galvão. Ele pode ficar preso até o fim desse processo.

Além da acusação pela morte de Dorothy Stang, o fazendeiro já responde a outras ações judiciais, por trabalho escravo, crimes ambientais e fraudes contra a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

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