O procurador da República Felício Pontes disse que os grileiros que atuam no Pará devem “colocar as barbas de molho”, após a prisão de Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, em sua casa em Altamira (PA) nesta sexta-feira (26). A informação é da Agência Brasil.
Galvão é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da
missionária Dorothy Stang. O procurador disse à Rádio Nacional
da Amazônia que outros casos estão sendo investigados e que a
expectativa é de que mais grileiros possam ser presos.
“Conseguimos com o Regivaldo pegar o peixe maior
do ponto de vista econômico. A mensagem que fica é que se
conseguimos prender o fazendeiro de maior poder econômico nessa
região, é claro que os outros devem ficar com as barbas de
molho”, disse Pontes, segundo nota da Agência Brasil.
Felício Pontes afirmou que a absolvição em segundo julgamento do
fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, e também acusado de
envolvimento no assassinato de Dorothy Stang, incentivou outros
fazendeiros da região a tentar grilar terras onde estão
assentados colonos. No primeiro julgamento, Bida havia sido
condenado a 30 anos de prisão.
“Essas pessoas estão colocando em cheque o próprio
programa de reforma agrária do governo federal. Não tem como
fazer com que um colono consiga produzir se ele está ameaçado o
tempo todo de ser despejado de sua terra”, disse o procurador.
Lote 55
A prisão preventiva de Galvão, ordenada pelo juiz federal Antonio
Carlos de Almeida Campelo, foi pedida pelo Ministério Público
Federal (MPF), após a descoberta de que ele estava novamente
tentando tomar posse do lote 55, em Anapu (PA).
Segundo a Procuradoria da República do Pará,
trata-se de uma área de três mil hectares, que foi grilada por
ele no final dos anos 1990 e pela qual um grave conflito
fundiário se instalou, culminando com a morte da freira, em
2005.
Desta vez, as acusações são de grilagem e
estelionato. De acordo com a procuradoria, o fazendeiro chegou a
ficar preso durante mais de um ano, mas foi solto em 2006 por um
habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), aguardando o
julgamento em liberdade até o momento.
“O compromisso do MPF com a população de Anapu é
garantir que os grileiros nunca mais se aproximem das terras
públicas, que são posse legítima dos trabalhadores rurais. É
preciso máximo rigor com os conflitos fundiários, porque são a
causa de tragédias como a morte da irmã Dorothy”, declarou
Felício Pontes Júnior, procurador da República.
Crime
Segundo a procuradoria, após a prisão do fazendeiro, o inquérito
da PF que investiga a grilagem pode originar um processo
criminal do MPF contra Galvão. Ele pode ficar preso até o fim
desse processo.
Além da acusação pela morte de Dorothy Stang, o
fazendeiro já responde a outras ações judiciais, por trabalho
escravo, crimes ambientais e fraudes contra a Superintendência
de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

O Portal de Notcias da Globo