O mapa interativo do Globo Amazônia traz os dados mais atualizados de desmatamento e queimadas produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os pontos de destruição são representados por pequenos ícones sobre o Google Maps, um aplicativo cartográfico produzido pelo Google.
Nas imagens do Google Maps que estão sob os pontos de queimadas e desmatamento o internauta pode reconhecer diversos fenômenos interessantes.
O Globo Amazônia pediu ao geógrafo Maurício Silva, analista ambiental do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) especializado em interpretação de imagens de satélite que selecionasse algumas imagens do Google Maps e indicasse o que pode ser interpretado a partir delas.
“Na área de abrangência da Amazônia brasileira o Google Maps disponibiliza duas camadas de imagens para os internautas que navegam pela região, uma primeira de resolução média, que recobre completamente a Amazônia, e uma segunda que aparece somente quando o recorte de visualização torna-se bem reduzido, ou seja, bem mais próximo do terreno”, explica o geógrafo.
Silva explica que as imagens foram geradas por
diferentes satélites e que elas possuem especificações
distintas. “As imagens de recobrimento geral são um produto
fornecido pela TerraMetrics chamado TruEarth, com resolução de
15 metros (ou seja, o menor ponto que conseguem enxergar tem de
ter esta dimensão, pelo menos)”, esclarece. “Estas imagens foram
obtidas e tratadas por esta empresa contratada pelo Google nos
anos de 2000 e 2001”, acrescenta. Protanto, tratam-se de imagens
já com alguns anos de idade.
Já as imagens de alta resolução, que podem ser vistas somente em parte do mapa, quando se aumenta o zoom, foram obtidas pelo satélite Quickbird, cujos direitos são comercializados pela empresa Digital Globe, e possuem resolução espacial muito mais apurada - 60 centímetros. Segundo Silva, estas imagens também não são muito atuais e têm, em alguns casos, mais de três anos.
Ainda assim, mesmo não acusando eventos em tempo real como fazem os ícones do mapa interativo do Globo Amazônia, as fotos são uma maneira eficiente e realista de "viajar" pela maior floresta tropical do mundo.
Veja abaixo algumas imagens selecionadas por Silva que podem servir de apoio para navegar pelas imagens utilizadas no mapa do portal, acompanhadas de explicações do especialista:
'Aqui foram registradas duas queimadas na região de Sinop (MT). Dá para notar a linha de fogo avermelhada registrando o avanço do fogo e o respectivo cone de fumaça', explica o Maurício Silva. (Foto: Reprodução)
'Nesta área podem-se observar duas tonalidades distintas para áreas desmatadas, uma mais clara, acinzentada, como resposta dos solos expostos utilizados para agricultura e pecuária, e uma área mais escura, proveniente da abertura de nova área, geralmente associada ao uso do fogo, daí a resposta mais escurecida na imagem do satélite', diz o geógrafo (Foto: Reprodução)
'Neste local pode-se observar uma área de manejo florestal onde é retirada a madeira por meio dos caminhos abertos dentro da mata, que aparecem como linhas brancas na imagem. Os pontos isolados são os pátios de armazenamento da madeira que será transportada', explica Silva. (Foto: Reprodução)
'Aqui observamos áreas de campos naturais na Amazônia, resquícios das antigas coberturas de cerrado que predominavam na região antes de o Rio Amazonas inverter seu sentido, deixar de desaguar no Oceano Pacífico e passar a desaguar no Atlântico. Formações vegetais como estas estão presentes em várias regiões da Amazônia como nos altiplanos de Roraima, norte do Pará, Sul do Amazonas e Rondônia', diz o analista ambiental. (Foto: Reprodução)
'No famoso encontro dos Rios Negro e Solimões (AM) pode-se observar duas cores distintas para caracterização dos rios amazônicos. O Negro banha Manaus com tons escurecidos, quase pretos, em decorrência da baixa quantidade de sedimentos em suspensão transportados, ao contrário do Solimões, que apresenta na imagem uma tonalidade azul clara em função da reposta obtida pelo satélite da grande quantidade de sedimentos em suspensão', analisa Silva. (Foto: Reprodução)
'Algumas construções são bem características, como as usinas hidrelétricas com seus imensos lagos, que represam águas e as utilizam para a produção de energia, além de abastecerem grandes cidades como Manaus, abastecida por Balbina, ou Belém, abastecida pela Usina de Tucuruí', diz Maurício Silva. (Foto: Reprodução)
O geógrafo destaca também algumas formações de relevo características, como as chapadas, formações rochosas com borda íngreme e um plano superior. Esta imagem mostra a Chapada dos Parecis, em Rondônia. 'Sua parte mais alta apresenta vegetação rasteira e arbustiva, representada pelos tons avermelhados na imagem', diz Silva. (Foto: Reprodução)
'Nesta área próxima de Itaituba (PA), pode-se observar a Rodovia Transamazônica e o característico processo de ocupação desencadeado na Amazônia a partir da década de 1970 através do padrão espinha-de-peixe, em que um acesso é aberto transversalmente a uma grande rodovia e os lotes ficam dispostos lado a lado ao longos das estradas que partem da rodovia principal', explica Silva. (Foto: Reprodução)
'Às margens do Rio Negro, a cidade de Novo Airão (AM) apresenta tons rosados em função da resposta das estradas e construções captadas pelo satélite. À frente da cidade está o arquipélago de Anavilhanas, um verdadeiro labirinto de canais', comenta o geógrafo. (Foto: Reprodução)

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