O uacari branco vive na reserva de Mamirauá, no Amazonas. (Foto: Araquém Alcântara)
Ele fotografa a Amazônia há 40 anos e tem 35 livros publicados. Araquém Alcântara é um dos grandes fotógrafos da floresta e é assim reconhecido dentro e fora do Brasil. A beleza das cenas por ele capturadas às vezes parece exceder a realidade.
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a galeria de fotos de Araquém Alcântara
Um observador incauto poderia pensar, ao ver o
trabalho de Araquém, que ele não leva em conta a ameaça de
destruição que pesa sobre a floresta. Mas não passaria de um
engano: é justamente através da beleza que Alcântara tenta
chamar atenção para a devastação.
“O meu trabalho de fotógrafo viajante, de um dos
precursores da fotografia de natureza, está totalmente
comprometido com essa causa. Mesmo buscando a beleza, o que eu
mais vejo é o horror. Eu acho que o Brasil só se tornará uma
grande nação se puder salvar a Amazônia e dar um desenvolvimento
sustentável para os seus 20 milhões de habitantes”, aponta.
“Nesses anos de andanças descobri que aqui é
possível o pão circular farto, é possível esta terra se
transformar numa grande nação se aprendermos a cuidar de seus
bens naturais e do seu patrimônio biológico. A Amazônia precisa
de uma atenção mundial imediata e é necessária a paralisação do
desmatamento já”, defente Alcântara.
O fotógrafo comenta que os problemas da Amazônia
não chegam a ser conhecidos por todo o país como deveriam. “Você
não pode amar e defender o que não conhece. Esse é o meu
trabalho: revelar uma Amazônia desconhecida".
Nas suas viagens pela região, Alacântara viu de
tudo: esteve frente a frente com animais selvagens, foi
seqüestrado, sofreu ameaças, teve de fazer pouso forçado de
avião. “Nos meses de setembro e outubro a maior floresta
tropical da terra arde no calor das queimadas: labaredas de
fogo, terra calcinada, bichos mortos e aquele paredão de fumaça
a perder de vista. É uma desolação sem tamanho”, lamenta o fotógrafo.
“E a minha câmera... Eu me sinto impotente diante de tanta destruição. Estamos desertificando o maior laboratório científico de nossa civilização sem ao menos conhecê-lo. Acredito que só um clamor mundial pode proporcionar o futuro sustentável para a Amazônia”, defende.
*Colaborou, do Fantástico, no Rio.

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