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03/01/09 - 11h12 - Atualizado em 03/01/09 - 11h13

'Brasil só será grande nação se salvar a Amazônia', diz Araquém Alcântara

Ele é um dos grandes nomes da fotografia de natureza.
São 40 anos registrando a Amazônia, com 35 livros publicados.

Dennis Barbosa e Maria Luiza Silveira* Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Foto: Araquém Alcântara

O uacari branco vive na reserva de Mamirauá, no Amazonas. (Foto: Araquém Alcântara)

 

Ele fotografa a Amazônia há 40 anos e tem 35 livros publicados. Araquém Alcântara é um dos grandes fotógrafos da floresta e é assim reconhecido dentro e fora do Brasil. A beleza das cenas por ele capturadas às vezes parece exceder a realidade.

 

Veja a galeria de fotos de Araquém Alcântara

Um observador incauto poderia pensar, ao ver o trabalho de Araquém, que ele não leva em conta a ameaça de destruição que pesa sobre a floresta. Mas não passaria de um engano: é justamente através da beleza que Alcântara tenta chamar atenção para a devastação.

“O meu trabalho de fotógrafo viajante, de um dos precursores da fotografia de natureza, está totalmente comprometido com essa causa. Mesmo buscando a beleza, o que eu mais vejo é o horror. Eu acho que o Brasil só se tornará uma grande nação se puder salvar a Amazônia e dar um desenvolvimento sustentável para os seus 20 milhões de habitantes”, aponta.

“Nesses anos de andanças descobri que aqui é possível o pão circular farto, é possível esta terra se transformar numa grande nação se aprendermos a cuidar de seus bens naturais e do seu patrimônio biológico. A Amazônia precisa de uma atenção mundial imediata e é necessária a paralisação do desmatamento já”, defente Alcântara.

O fotógrafo comenta que os problemas da Amazônia não chegam a ser conhecidos por todo o país como deveriam. “Você não pode amar e defender o que não conhece. Esse é o meu trabalho: revelar uma Amazônia desconhecida".

Nas suas viagens pela região, Alacântara viu de tudo: esteve frente a frente com animais selvagens, foi seqüestrado, sofreu ameaças, teve de fazer pouso forçado de avião. “Nos meses de setembro e outubro a maior floresta tropical da terra arde no calor das queimadas: labaredas de fogo, terra calcinada, bichos mortos e aquele paredão de fumaça a perder de vista. É uma desolação sem tamanho”, lamenta o fotógrafo.

 

“E a minha câmera... Eu me sinto impotente diante de tanta destruição. Estamos desertificando o maior laboratório científico de nossa civilização sem ao menos conhecê-lo. Acredito que só um clamor mundial pode proporcionar o futuro sustentável para a Amazônia”, defende.

 

*Colaborou, do Fantástico, no Rio.

 

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