Ananás, Nana, Nanaz, ou Ananas comosus? Esses são alguns
dos nomes que recebe o abacaxi – que também já foi escrito como
“abacachi”. Para facilitar a vida de pesquisadores e pessoas
interessadas em estudar a fauna, a flora e a cultura amazônica,
o Museu Paraense Emílio Goeldi, que fica em Belém, prepara um
vocabulário com as variações lingüísticas dos termos da região.
“Há uma variação muito grande, principalmente nas
espécies da fauna e da flora”, explica a pesquisadora Olímpia
Resque, responsável pela organização do vocabulário. Segundo
Resque, é comum um único animal ter nomes diferentes dependendo
da região. Quando alguém se dirige à biblioteca do museu para
estudar a espécie, tem dificuldade para encontrar informações.
“Pesquisadores estrangeiros, por exemplo, só conhecem o nome
científico”, afirma.
(Foto: Daniel W. Holth/Wikimedia Commons) |
Didelphis marsupialis
Mucura, gambá, sariguá, soriquê, serigoé, muca |
(Foto: Decio Horita Yokota/Wikimedia Commons) |
Euterpe oleracea Açaí, açaí-do-pará, açay, assaí, assahí, assahy, juçara, jussara, uassahy |
(Foto: Stefan Laube/Wikimedia Commons) |
Bradypus variegatus Bicho-preguiça, preguiça, aí, haüt |
(Foto: David Monniaux/Wikimedia Commons) |
Ananas comosus Abacaxi, ananás, naná, nanaz, abacachi |
saiba mais
O vocabulário será limitado a 10 sinônimos, para não ficar muito
grande. As seções de mamíferos, aves e frutas comestíveis já
estão prontas. “Falta ainda plantas medicinais, peixes, madeira,
e depois partir para etnologia [estudo dos povos], com povos
indígenas, e algumas coisas de terminologia física, como
folclore”, conta a pesquisadora.
O museu ainda não decidiu se o produto final será
um livro ou um banco de dados disponível na internet. Hoje, o
Ministério do Meio Ambiente já oferece em seu site o vocabulário dos mamíferos na Amazônia,
que pode ser consultado gratuitamente.
Trabalho sem fim
Resque estuda termos amazônicos desde 1990. Como
surgem novas palavras e novas espécies a todo momento, é
necessária uma revisão de todos os vocabulários a cada cinco
anos. Por isso, a pesquisadora avalia que seu trabalho é nunca
terá fim. “Vai ficar para outras pessoas terminarem”, afirma.

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