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12/01/09 - 10h47 - Atualizado em 12/01/09 - 11h00

Museu prepara vocabulário de termos amazônicos

Nomes de plantas e animais variam conforme a região.
Descubra outras formas de dizer abacaxi, gambá e açaí.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Ananás, Nana, Nanaz, ou Ananas comosus? Esses são alguns dos nomes que recebe o abacaxi – que também já foi escrito como “abacachi”. Para facilitar a vida de pesquisadores e pessoas interessadas em estudar a fauna, a flora e a cultura amazônica, o Museu Paraense Emílio Goeldi, que fica em Belém, prepara um vocabulário com as variações lingüísticas dos termos da região.

“Há uma variação muito grande, principalmente nas espécies da fauna e da flora”, explica a pesquisadora Olímpia Resque, responsável pela organização do vocabulário. Segundo Resque, é comum um único animal ter nomes diferentes dependendo da região. Quando alguém se dirige à biblioteca do museu para estudar a espécie, tem dificuldade para encontrar informações. “Pesquisadores estrangeiros, por exemplo, só conhecem o nome científico”, afirma.

 

Exemplos de variações de nomes de plantas e animais

(Foto: Daniel W. Holth/Wikimedia Commons)

Didelphis marsupialis
Mucura, gambá, sariguá, soriquê, serigoé, muca

(Foto: Decio Horita Yokota/Wikimedia Commons)

Euterpe oleracea

Açaí, açaí-do-pará, açay, assaí, assahí, assahy, juçara, jussara, uassahy

(Foto: Stefan Laube/Wikimedia Commons)

Bradypus variegatus
Bicho-preguiça, preguiça, aí, haüt

(Foto: David Monniaux/Wikimedia Commons)

Ananas comosus

Abacaxi, ananás, naná, nanaz, abacachi

O vocabulário será limitado a 10 sinônimos, para não ficar muito grande. As seções de mamíferos, aves e frutas comestíveis já estão prontas. “Falta ainda plantas medicinais, peixes, madeira, e depois partir para etnologia [estudo dos povos], com povos indígenas, e algumas coisas de terminologia física, como folclore”, conta a pesquisadora.

O museu ainda não decidiu se o produto final será um livro ou um banco de dados disponível na internet. Hoje, o Ministério do Meio Ambiente já oferece em seu site o vocabulário dos mamíferos na Amazônia, que pode ser consultado gratuitamente. 

Trabalho sem fim

 
Resque estuda termos amazônicos desde 1990. Como surgem novas palavras e novas espécies a todo momento, é necessária uma revisão de todos os vocabulários a cada cinco anos. Por isso, a pesquisadora avalia que seu trabalho é nunca terá fim. “Vai ficar para outras pessoas terminarem”, afirma.

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