Copa da palmeira inajá. (Foto: Arria Belli/Wikimedia Commons)
A palmeira inajá, nativa da Amazônia, é uma alternativa promissora para a produção de biodiesel, mostra estudo realizado pelo engenheiro agrônomo Otoniel Duarte, da Embrapa de Roraima.
“O grande mérito da pesquisa é que há um potencial [desta planta] muito grande que não se conhecia”, comemora o pesquisador. Pelos cálculos de Duarte, se plantada com 6 metros de distância entre cada pé, a espécie pode render mais de 3.500 litros de óleo por ano por hectare (área semelhante à de um campo de futebol), quando selecionadas mudas de plantas mais produtivas.
O dendê, planta semelhante, mas originária da África, após quase 60 anos de melhoramento pelo homem, produz cerca de 5 mil litros. Segundo Duarte, a comparação entre as duas espécies demonstra o grande potencial do inajá, que tem a vantagem de já estar adaptado ao solo pobre da Amazônia. “O dendê precisa de forte adubação”, comenta.
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Outra vantagem da palmeira amazônica é que, por ser nativa, ela serve de alimento para aves e mamíferos da floresta, ou seja, se for plantada em escala, pode ajudar a conservar espécies animais.
O inajá precisa de luz para se multiplicar. Por isso, ele se prolifera em áreas desmatadas pelo homem. Para o agricultor com menos recursos e maquinário para limpar o terreno, ele é uma praga que invade a roça. Com a descoberta de Duarte, no entanto, pode se tornar uma interessante alternativa de ganho. Os criadores de gado da Região Norte costumam deixá-lo crescer em pastos, já que proporciona sombra e alimento aos bois.
A espécie é mais comum em Roraima, onde Duarte desenvolveu sua pesquisa. “Mas ela existe e poderia ser cultivada em toda a Bacia Amazônica”, explica o engenheiro agrônomo. Uma vantagem de seu cultivo é o fato de não ter espinhos, o que facilita a colheita, feita com técnica idêntica à do dendê.
Para verificar a produtividade da palmeira, Duarte analisou dez áreas de 1 hectare cada com inajás. Seu trabalho virou tese de doutorado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus. O próximo passo, aponta o cientista, é aprofundar a pesquisa em busca de exemplares mais produtivos e de um sistema de produção que possa ser aplicado comercialmente.

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