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16/01/09 - 09h32 - Atualizado em 16/01/09 - 09h32

Desmatamento emite menos carbono do que se pensava, concluem cientistas

Erro em cálculo se deve a uso equivocado de índices de biomassa.
Devastação na Amazônia emite 10% menos carbono, diz professor.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Floresta amazônica no norte de Mato Grosso: menos densa. (Foto: Divulgação/Inpe)

As emissões de carbono provocadas pelas queimadas na Amazônia são, em média, 10% menores do que se imaginava, segundo uma série de estudos sobre a densidade da vegetação da floresta produzida no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) pelo pesquisador Euler Melo Nogueira e co-autores, todos coordenados pelo professor Philip Fearnside.

As estimativas de emissões de gás carbônico pelo desmatamento, que contribuem ao aquecimento global, são feitas a partir dos índices de biomassa (folhas, galhos e outras partes da floresta). Os estudos coordenados por Fearnside mostram que, por diferentes motivos, a quantidade de carbono liberado na atmosfera durante as queimadas e o desmatamento era superestimada. 

 

Uma das razões é que os índices de carbono que se usam nas equações de emissões se baseiam em medições de biomassa realizadas na Amazônia Central (região que margeia o Rio Amazonas), quando a maior parte das queimadas ocorre no chamado Arco do Desmatamento, a faixa de fronteira agrícola que vai de Rondônia ao Maranhão, passando por Mato Grosso e Pará. Nessa região, a floresta é menor e mais espaçada.

“O solo em Mato Grosso é mais rico, por isso as árvores ali crescem mais rápido e são menos densas”, explica Fearnside em entrevista ao Globo Amazônia. Segundo ele, no Arco do Desmatamento os índices de biomassa são cerca de 13% menores do que consta do Inventário de Gases de Efeito Estufa divulgado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.

O que Fearnside e seus colegas pesquisadores fizeram foi medir a biomassa das árvores naquela região. “Foram analisadas quase 300 espécies. É um trabalho muito consistente”, explica o pesquisador americano radicado há três décadas no Brasil.


Segundo ele, com a revisão da biomassa da floresta, os números das emissões de carbono devem todos descer paralelamente. “Eu mesmo utilizava esses índices [superestimados]”, diz Fearnside.

No Arco do Desmatamento, aponta o cientista, não apenas há maior ocorrência de árvores de espécies mais leves, como dentro da mesma espécie os exemplares daquela região são menos densos que os da Amazônia Central.

O desmatamento é considerado o principal responsável pelas emissões de carbono do Brasil – maior que toda a atividade industrial e queima de combustíveis.

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