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18/01/09 - 07h40 - Atualizado em 18/01/09 - 07h40

Aparecimento de onça causa alvoroço em vilarejo do Pará

Vila Anapolina fica a 110 quilômetros da capital do estado.
Especialista explica o que fazer se você estiver cara-a-cara com o animal.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Ela fez apenas uma pequena visita, e depois desapareceu. Ainda assim, os moradores da Vila Anapolina, em Santa Maria do Pará – a 110 km de Belém – resolveram chamar o Ibama para se assegurarem de que a onça parda não iria reaparecer. Os técnicos chegaram com dardos tranqüilizantes e com um atirador treinado para capturar animais. A onça, porém, não deu mais o ar da graça.

 

Foto: Trisha Shears/Wikimedia Commons

Por comer animais menores, onça parda consegue sobreviver em locais degradados. (Foto: Trisha Shears/Wikimedia Commons)

Para acalmar os moradores, os funcionários do Ibama fizeram uma palestra explicando o que fazer caso o animal aparecesse novamente. Segundo o chefe da Divisão de Fauna e Pesca do Ibama do Pará, Alex Lacerda, que esteve na Vila Anapolina, há poucos casos comprovados de ataques de onças, mas é importante saber o que fazer no caso de estar frente-a-frente com o bicho.

 

Equipe do Ibama faz vistoria em local em que onça foi vista. (Foto: Ibama/Divulgação)

“O que não se pode fazer em hipótese alguma é dar as costas e correr, pois os felinos atacam a parte de trás do pescoço. [Se der as costas,] você está praticamente pedindo que ele te ataque”, adverte Lacerda. “Você tem que ter contato visual e se afastar aos poucos. Isso não é garantia de que você não irá ser atacado, mas diminuiu muito o risco.”

O funcionário do Ibama avisa que um dos maiores erros é tentar capturar ou mexer com o animal, pois o risco de ataque aumenta, principalmente se a onça for ferida. “E matar onças é rime ambiental, com pena de seis meses a um ano, mais multa de cinco mil reais”, avisa. “Só não é considerado crime é se a pessoa matar para se defender.” 

Fuga do desmatamento

Na Vila Anapolina, os técnicos do Ibama planejam fazer fiscalizações para descobrir por que a onça tem saído da mata. “Se ela está chegando próxima das casas é porque está havendo um desmatamento onde ela habita”, afirma Lacerda. Segundo ele, não é comum onças chegarem perto de vilas e cidades. “Ela pode estar ferida ou com fome”, pondera. 

 

Foto: Lea Maimone/Wikimedia Commons

Destruição das florestas diminui população de onças pintadas. (Foto: Lea Maimone/Wikimedia Commons)

Como se alimentam de outros mamíferos, as onças precisam de grandes áreas para a caça. Com o desmatamento, a população do animal tem diminuído. A espécie mais afetada é a onça pintada, que é a maior e se alimenta de animais grandes. “A onça parda é de menor porte, e tem uma gama de presas maior. Por isso ela consegue viver em áreas degradas”, explica o funcionário do Ibama. 

Onças e homens

Para quem quiser saber mais sobre como homens e onças podem conviver pacificamente, é possível ler, na internet, o “Guia de convivência gente e onças”, lançado pela Fundação Ecológica Cristalino, de Mato Grosso, no final de 2008. O livro, voltado para pecuaristas do Pantanal e da Amazônia, dá dicas de como proteger o gado dos ataques do felino e lista uma série de motivos para que não se matem as onças pintadas.

 

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