Para proteger a postura dos ovos e o nascimento das tartarugas da
Amazônia, fiscais do Ibama e agentes ambientais transformaram
uma área de reserva de Aveiro (PA) em uma verdadeira
maternidade.
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O trabalho dos agentes de praia, como são
conhecidos os protetores de tartarugas, inicia em agosto, quando
o nível do Tapajós começa a baixar e os animais aparecem em
grande quantidade. Elas procuram um lugar para colocar sues
ovos. “A primeira etapa é limpar a praia. A gente tira toda a
vegetação rasteira para que as tartarugas fiquem livres para
desovar”, afirma Nicola Tancredi, coordenador do projeto.
A praia fica tomada pelos animais, que põem em média 130 ovos
cada um, e depois os enterram. O nascimento dos filhotes depende
da ajuda dos agentes de praia.
Como choveu muito nesses primeiros dias do ano e o
nível dos rios subiu com rapidez, a água atingiu as covas das
tartarugas, e foi necessário realizar uma operação que os
profissionais chamam de “transplante”, que é transferir os ovos
para uma parte mais alta. Depois de ficarem enterrados entre 50
e 65 dias, os ovos eclodem, e os filhotes surgem da areia.
O monitoramento do ciclo reprodutivo em na região de Tabuleiro de
Monte Cristo, em Aveiro, acontece há mais de 25 anos. No período
da eclosão, o trabalho dos agentes de praia se intensifica. Tudo
é feito para impedir que predadores, como os jacarés, devorem os
filhotes de tartaruga.
Eles ficam distantes, à espera dos filhotes. Uma
tela de proteção é colocada para impedir que cheguem até as
covas. Mas o perigo também vem do alto: aves ameaçam a
reprodução da espécie. O maior predador, contudo, ainda é o
próprio homem.
Depois que saem das covas, os filhotes são levados
para tanques carinhosamente chamados de “berçários”, onde ficam
pelo período de cinco dias para ganhar resistência e perder o
odor que atrai os predadores. A última etapa é a soltura dos
filhotes nos rios da Amazônia
"O projeto consiste na proteção da praia de
desova, de aproximadamente duas mil matrizes, e o monitoramento
das covas até o nascimento dos filhotes”, explicou Polyana
Magalhães, gerente do Ibama de Santarém, no Pará.
Os agentes esperam que até fevereiro, quando
termina o período reprodutivo das tartarugas, oitocentos mil
filhotes sejam levados para a bacia do Rio Tapajós.

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