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19/01/09 - 11h27 - Atualizado em 19/01/09 - 11h30

Fiscais do Ibama transformam praia em 'maternidade' de tartarugas

Profissionais protegem nascimento dos animais nas margens do Tapajós.
Até fevereiro é esperada a soltura de 800 mil filhotes.

Do Globo Amazônia, com informações do Globo Rural

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Para proteger a postura dos ovos e o nascimento das tartarugas da Amazônia, fiscais do Ibama e agentes ambientais transformaram uma área de reserva de Aveiro (PA) em uma verdadeira maternidade.

Acesse o site do Globo Rural

O trabalho dos agentes de praia, como são conhecidos os protetores de tartarugas, inicia em agosto, quando o nível do Tapajós começa a baixar e os animais aparecem em grande quantidade. Elas procuram um lugar para colocar sues ovos. “A primeira etapa é limpar a praia. A gente tira toda a vegetação rasteira para que as tartarugas fiquem livres para desovar”, afirma Nicola Tancredi, coordenador do projeto. 

 

A praia fica tomada pelos animais, que põem em média 130 ovos cada um, e depois os enterram. O nascimento dos filhotes depende da ajuda dos agentes de praia.

Como choveu muito nesses primeiros dias do ano e o nível dos rios subiu com rapidez, a água atingiu as covas das tartarugas, e foi necessário realizar uma operação que os profissionais chamam de “transplante”, que é transferir os ovos para uma parte mais alta. Depois de ficarem enterrados entre 50 e 65 dias, os ovos eclodem, e os filhotes surgem da areia. 

 

O monitoramento do ciclo reprodutivo em na região de Tabuleiro de Monte Cristo, em Aveiro, acontece há mais de 25 anos. No período da eclosão, o trabalho dos agentes de praia se intensifica. Tudo é feito para impedir que predadores, como os jacarés, devorem os filhotes de tartaruga.

Eles ficam distantes, à espera dos filhotes. Uma tela de proteção é colocada para impedir que cheguem até as covas. Mas o perigo também vem do alto: aves ameaçam a reprodução da espécie. O maior predador, contudo, ainda é o próprio homem.

Depois que saem das covas, os filhotes são levados para tanques carinhosamente chamados de “berçários”, onde ficam pelo período de cinco dias para ganhar resistência e perder o odor que atrai os predadores. A última etapa é a soltura dos filhotes nos rios da Amazônia

"O projeto consiste na proteção da praia de desova, de aproximadamente duas mil matrizes, e o monitoramento das covas até o nascimento dos filhotes”, explicou Polyana Magalhães, gerente do Ibama de Santarém, no Pará.

Os agentes esperam que até fevereiro, quando termina o período reprodutivo das tartarugas, oitocentos mil filhotes sejam levados para a bacia do Rio Tapajós.

 

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