Densos e secos, os pellets liberam alto teor de energia quando queimados. (Foto: Tom Bruton)
Uma empresa holandesa decidiu instalar em Belém (PA) uma fábrica que vai beneficiar o pó-de-serragem produzido pela indústria madeireira local, transformando-o em pellets - pequenas partículas usadas principalmente na Europa como combustível em usinas termoelétricas ou para aquecimento residencial.
“O pellet de madeira é bom para produzir
energia porque, ao contrário do gás natural e do petróleo, é
neutro em termos de emissões de gases causadores do efeito
estufa, já que, ao ser queimado, ele apenas devolve à atmosfera
o carbono que a árvore tirou da atmosfera ao crescer”, explica
Hans van de Riet, gerente de projetos da VAR do Brasil,
subsidiária da holandesa WWR, que atua no ramo de reciclagem de
lixo em seu país de origem.
A empresa espera conseguir licença ambiental ainda
este ano para, em 2010, mandar o primeiro navio carregado de
pellets à Europa. Segundo van de Riet, a expectativa é
de que, numa fase inicial, a fábrica no Pará produza 250 mil
toneladas do material ao ano. “Para isso vamos ter de recolher
350 mil toneladas de serragem, pois ela contém umidade e passa
por um processo de secagem antes de virar pellet”, explica.
Emissão de Metano
No processo de corte da madeira, até 70% das toras vira serragem
e outros tipos de detritos. Seu recolhimento é vantajoso porque
se simplesmente deixados em pilhas para decomposição, como é
prática comum em muitas serrarias, emitem gás metano, mais
danoso à atmosfera que o gás carbônico.
Uma das empresas que pretende vender sua serragem
para a VAR é a Cikel, que produz tábuas, pisos e madeira
compensada. “Atualmente, usamos a serragem para aquecer uma
caldeira dentro da nossa fábrica”, explica Wandréia Baitz,
gerente de Meio Ambiente da empresa brasileira.
Outro detrito comum na Amazônia e que deve ser
transformado em pellets, assim como a serragem, são os
caroços de açaí. A demanda pelo combustível renovável deve
aumentar na Europa, afirma van de Riet, devido à crise de
fornecimento de gás natural oriundo da Rússia. “[Na Europa
Ocidental] ninguém quer ficar dependendo só dos russos e
ucranianos”, anima-se o holandês. O investimento inicial da VAR
no projeto no Pará será de 28 milhões de euros.

O Portal de Notcias da Globo