Em um assentamento de reforma agrária no muncípio de Itanhangá
(MT), as casas de madeira onde deveriam morar os assentados
estão abandonadas e os marcos do Incra que delimitam os lotes
quase desaparecem em meio às plantações de soja. A área foi
dividida em grandes fazendas.
O comércio irregular de terra públicas continua
até hoje. Com uma câmera escondida, a equipe do Jornal Nacional
registrou como um vendedor negocia os lotes do
assentamento. Além de vender terras, ele ainda
saiba mais
toma conta de um lote que já foi vendido: “É do Serginho Tabajara, é o vereador da cidade. Ele comprou faz pouco tempo (...)de grileiro."
Consultado, o vereador afirma que é um dos primeiros assentados do local e que nunca negociou a terra.
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Exploração madeireira
O comércio de lotes não é a única ilegalidade no assentamento,
pois a área também está sendo usada para exploração madeireira.
A equipe de reportagem flagrou caminhões com toras sem qualquer
documentação de origem.
Dezoito serrarias são autorizadas a funcionar na
sede do município, que tem o mesmo nome do assentamento. Seis
delas estão impedidas de vender madeira.
Os assentados que resistem na área se dizem
ameaçados. “Três anos atrás, era tudo mata nativa. Aí tiraram
madeira, comercializaram, venderam as toras, as madeiras,
tocaram fogo. Já me disseram pra mim ficar quieto, se não eles
iam me matar”, conta um morador.
O procurador Mário Lúcio Avelar diz que vai
investigar as denúncias da venda de lotes: "Esses fatos
configuram crimes, crime de estelionato, crime de invasão de
terras públicas e são fatos graves que depôem contra a reforma
agrária no país".
O Incra de Mato Grosso diz que está analisando quem ocupa os lotes do assentamento, mas admite que o comércio ilegal de terras de reforma agrária é um problema crônico.

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