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22/01/09 - 12h08 - Atualizado em 22/01/09 - 12h44

Quebradeiras de coco reclamam do preço pago pelo babaçu

Elas recebem em média R$ 0.80 pelo quilo da amêndoa.
Ajuda prometida pelo Governo Federal ainda não chegou.

Do Globo Amazônia, com informações do Globo Rural

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A área de babaçu no Maranhão se estende por uma área de cerca de 100 mil quilômetros quadrados – o equivalente a duas vezes o estado do Rio de Janeiro. A safra dura oito meses. Vai de setembro a abril e emprega cerca de 200 mil maranhenses. A maioria são mulheres que tiram o sustento extraindo a amêndoa na lâmina do machado.

Apesar de envolver tantas pessoas, a renda obtida pela colheita e retirada da amêndoa do coco ainda é baixa. As quebradeiras – como são chamadas as mulheres que realizam essa tarefa – recebem em média R$ 0,80 pelo quilo da amêndoa.

No final do ano passado, o Governo Federal anunciou um programa de preço mínimo para o babaçu, aumentando o valor pago às quebradeiras. Até agora, contudo, ninguém se beneficiou. 

Arroz, açúcar e café

 
Francisca Oliveira, de 72 anos, é uma das trabalhadoras que tem dificuldades de viver com a pequena renda. Ela não consegue extrair mais que cinco quilos por dia, e afirma que o valor recebido é insuficiente para comprar todos os produtos básicos para a casa. "Arroz de R$ 2,00; açúcar de R$ 1,20; café de R$ 2,50. Não compensa nada não”, avalia.

A inclusão do babaçu na política de garantia de preços mínimos para produtos extrativistas era uma reivindicação antiga das quebradeiras de coco, e foi aprovada pelo governo. Para receber o benefício, no entanto, as quebradeiras terão de atender algumas exigências. Uma delas é o cadastro no Ministério do Desenvolvimento Agrário, a chamada DAP, Declaração de Aptidão ao Produtor.

Outra exigência é a abertura de conta em um banco. Como a maioria das quebradeiras de coco do Maranhão nunca foi à escola e não sabe nem ler nem escrever, contudo, isso se torna uma dificuldade.

“Muitas quebradeiras não tem nem documento. As exigências bancárias são grandes. Muitas vezes, para se ter uma conta aberta, tem taxas. Se for receber uma diferença de R$ 0,30 a R$ 0,40, fica, por conta dos encargos, para as agências bancárias. São os impostos pagos para se ter uma conta”, disse Antônia Gomes da Silva, quebradeira de coco.

Para esclarecer as dúvidas de como será feito o pagamento, houve uma reunião em São Luís entre técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e representantes das quebradeiras e dos bancos. Os técnicos explicaram que o governo não vai abrir mão da conta corrente, mas os bancos oficiais não cobrarão taxas de abertura dessas contas. Continua sendo obrigatória a apresentação da DAP e da nota fiscal que comprove que a quebradeira recebeu pelo babaçu um valor abaixo do preço mínimo.

“A cooperativa consolida a carga dos extrativistas e marca um dia para fazermos a operação. Ela nos entrega a segunda via da nota fiscal emitida com o nome do extrativistas e nós em até dez depositamos na conta do extrativista o benefício”, afirma Carlos Teixeira, superintendente da Gestão de Oferta da Conab.

Na prática, o orçamento do programa para este ano ainda não vai garantir o preço mínimo integral de R$ 1,46 para o quilo da amêndoa do babaçu. Isso porque o governo dará um subsidio de no máximo R$ 0,30 por quilo. Se o pagamento fosse feito hoje a quebradeira receberia R$ 0,80 da refinaria local e mais R$ 0,30 da ajuda do governo, totalizando R$ 1,10, um valor de R$ 0,36 abaixo do mínimo.

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