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25/01/09 - 07h41 - Atualizado em 26/01/09 - 10h37

Escola de samba de SP traz enredo místico e polêmico sobre a Amazônia

X-9 Paulistana falará da cobiça internacional pela floresta.
Grupo também exibirá 'energias encantadas' da mata.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Carnavalesco Paulo Führo mostra a deusa batizada de 'Hevea Brasiliensis' – nome científico da seringueira. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

Quem associa a floresta amazônica a imagens de desmatamento, rios gigantes ou garimpos clandestinos rasgando a terra terá uma surpresa ao ver o desfile da escola de samba X-9 Paulistana, que escolheu a Amazônia como enredo em 2009.

 

Veja o álbum de fotos com as alegorias da X-9

Ao lado de deuses indígenas lendários, o grupo mostrará uma crítica debochada à cobiça pelas riquezas da floresta. Representado por um corvo azul, o carro que mostra a exploração da mata traz um palhaço que vende hambúrgueres feitos com os bois da festa de Parintins.

"Não vamos mostrar a Amazônia como foi mostrada até agora, que é o boto, a Iara. Aquela é uma visão muito romântica ", avisa o carnavalesco Paulo Führo, que vai fazer sambarem juntos, em nome da floresta, sósias de Raul Seixas, sambistas em forma de seringueiros e Rita Cadillac. "A função do carnaval não é a discussão política, é debochar", ensina.

Dentro da lógica carnavalesca, a crítica se mistura à brincadeira, e elementos aparentemente sem conexão aparecem unidos. Führo usa dessa liberdade para abrir o desfile com uma barca encantada, que navega pelos igarapés amazônicos levada por Dom Sebastião – o lendário rei de Portugal, que no século XVI desapareceu em uma batalha na África e nunca mais voltou.

 

Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia

Desfile será aberto por barca encantada que navega por igarapés amazônicos. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

O desfile segue com a apresentação de uma deusa gigante, mistura de árvore e mulher, batizada de Hevea Brasiliensis – o nome científico da seringueira. No enredo da X-9, ela representa a divindade que, com seu leite, teria alimentado as riquezas dos coronéis da borracha e dos milhares de seringueiros que saíram do Nordeste e se dirigiram à selva.

Com olhos gordos sobre os tesouros amazônicos, o carro seguinte traz um corvo azul, simbolizando os interesses internacionais. Apimentando a polêmica, Führo lembra da influência cultural norte-americana e coloca Madonna dançando junto a engrenagens coloridas, que giram junto a águas poluídas. A alegoria traz ainda vários sapatos – alusão à recente "sapatada" recebida por George Bush no Iraque.

Em resposta à cobiça, surge no próximo carro o Guerreiro de Anhangá, um ser mitológico indígena. "Ele é a energia que se volta contra o homem quando trata mal a natureza", explica o carnavalesco. Para vencer o pássaro malvado, Anhangá usa como arma a brasilidade: seus soldados são Clara Nunes, Gonzagão, Rita Cadillac – esta em carne-e-osso –, Raul Seixas e o velho guerreiro, Chacrinha, que tasca uma buzinada no corvo azul e lhe entrega o troféu abacaxi. Afinal de contas, é carnaval.

 

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