O Brasil vai ajudar países africanos no monitoramento de suas florestas tropicais, oferecendo imagens de satélite e treinamento a técnicos, para que possam realizar naquele continente acompanhamento semelhante ao que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) faz da devastação na Amazônia. "Queremos fazer um Deter africano", anima-se o diretor do instituto, Gilberto Câmara. Deter é a sigla para Detecção de Desmatamento em Tempo Real, sistema que faz o registro oficial do desmatamento na Amazônia e cujos dados são usados no mapa interativo do Globo Amazônia.
O Rio Congo cruza a segunda maior floresta tropical do mundo. (Foto: Wikimedia Commons)
Aprenda a vigiar a floresta usando o mapa do Globo Amazônia .
A República Democrática do Congo, por exemplo, tem
a segunda maior floresta tropical do mundo e também enfrenta
problemas com a exploração madeireira, mineração e expansão
agrícola. Na semana passada, o governo do país cancelou dois
terços dos contratos de madeireiras que operavam em suas matas,
após verificar que elas não tinham cuidados ambientais mínimos.
Antenas
O primeiro passo para a implantação de um sistema
de vigilância da floresta como o Deter (que fornece dados também
ao mapa interativo do Globo Amazônia) na África é a instalação
de antenas para a recepção de imagens no continente. "Vamos
estender a cobertura do Cbers (satélite sino-brasileiro) para a
África", explica Câmara.
Atualmente, já existem três receptores na África
para receber o sinal do Cbers – no Egito, na África do Sul e nas
Ilhas Canárias (que pertencem à Espanha). O problema é que estes
pontos não são adequados para o monitoramento da floresta
tropical, que se situa em alguns dos países mais pobres do
continente, como Gana, Quênia e Gabão.
"Estamos em negociação com estes países, mas
eles não têm recursos para instalar os receptores. Estamos
buscando fontes de financiamento externas", comenta Câmara.
Segundo o diretor, o contato com os países africanos tem sido
positivo, pois eles veem com muito bons olhos o apoio
brasileiro. "Nossa política é não-comercial", diz,
enfatizando que as imagens produzidas pelos satélites
sino-brasileiros são cedidas gratuitamente. Depois que for
lançado, em 2011, o satélite Amazônia-1 também transmitirá dados
para a África.
Leia mais: Com o satélite Amazônia-1, Inpe espera 'turbinar' monitoramento da floresta .
Centro de formação
Outra forma de apoio aos países africanos será a
formação de técnicos capazes de interpretar as imagens vindas do
espaço no novo centro do Inpe em Belém (PA), a ser inaugurado
ainda em 2009. "A unidade já está operando, mas ainda falta
terminar algumas coisas para que possamos inaugurá-lo
oficialmente", explica Câmara.
Na capital paraense, o instituto vai treinar
pessoal especializado na análise de informações sobre florestas
tropicais. A localização é estratégica, pois facilitará o
trabalho de campo. Segundo o diretor do Inpe, é fundamental que
os novos profissionais tenham muita experiência dentro da mata
para fazerem bem seu trabalho. "Manteremos ali de 40 a 50
pessoas com formação de mestrado ou doutorado", informa.
O objetivo da nova unidade é fazer com que o
monitoramento da Amazônia evolua de maneira a permitir não só a
detecção do desmatamento, como também a evolução do uso do
terreno. "Hoje o Inpe não está conseguindo responder se a
área desmatada virou campo de soja, de criação de gado, ou se
simplesmente alguém tacou fogo e largou lá. Junto com a Embrapa,
queremos responder a esta pergunta", observa Câmara.
"Este foi, inclusive, um pedido do ministro da Agricultura
(Reinhold Stephanes) – saber quem está desmatando".
O diretor do Inpe explica que o novo centro de
Belém será designado o centro de referência para o trabalho do
instituto com os países africanos.

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