Modelo de bolsa que utiliza couro de peixe, da marca paraense Fora D'Água. (Foto: Divulgação)
Bolsas de tambaqui, botas de tucunaré, carteiras de aruanã. Não é
apenas nas mesas dos restaurantes que os peixes amazônicos têm
potencial de sucesso. O couro desses animais tem características
muito parecidas ao couro de boi, e pode ser utilizado para
fabricar peças de vestuário.
“Resistência, ele tem tanta ou mais do que o couro
de boi. Dá pra fazer roupa, sapato, cinto, carteira”, explica
José Rebello, especialista que trabalha no Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, desenvolvendo técnicas
para curtir couro de peixe.
Segundo Rebello, já há muita procura pelo
material, mas a produção ainda é insuficiente para abastecer o
mercado. “O couro de peixe está na classe dos couros exóticos,
como o jacaré, avestruz e a ema. [Os compradores] querem
quantidades consideráveis, para poder manter um ritmo de
produção”, afirma.
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Em Belém, a grife Fora D'Água já tem boa
parte de suas botas e bolsas fabricadas com peles de pescada. A
matéria-prima é adquirida de lojas do Ver-o-Peso, tradicional
mercado da cidade. “A pele seria jogada no rio ou no lixo.”,
conta Marta Beatriz, proprietária da marca. Em Manaus, Rebello
estima que sejam desperdiçadas cerca de 10 toneladas de peles
por mês.
Curtume especializado
Para estimular o uso e evitar o desperdício do couro dos peixes
amazônicos, a Superintendência da Zona Franca de Manaus
(Suframa) está apoiando a criação do Centro de Desenvolvimento
de Tecnologia de Couro de Peixe, que deve ficar pronto até o
final do ano.
A idéia é que nesse local seja possível
desenvolver técnicas de processamento das peles em escala
industrial. “Cada tipo de peixe tem um procedimento”, conta
Rebello, que trabalha com curtume de peixes há 15 anos. De
acordo com ele, os peixes que dão o melhor tipo de couro são o
tambaqui, tucunaré e aruanã. “Também há os de pele lisa, como
pirarara, surubim e caparari, que têm desenhos diferentes. Isso
dá a beleza e chama a atenção.”
Marta Beatriz, que viaja pelo mundo divulgando o
produto, garante que o couro não tem cheiro de peixe. “Fica com
cheiro de couro, mesmo. Quando as crianças pegam, a primeira
coisa que fazem é cheirar”, conta.
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