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04/02/09 - 08h55 - Atualizado em 04/02/09 - 11h25

Após morte, índios Yanomami exigem retirada de garimpeiros de reserva

Garimpeiros assassinaram um índio de 48 anos.
Polícia Federal prendeu cinco acusados, que alegam legítima defesa.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Índios da Terra Indígena Yanomami, situada no extremo norte do país, em Roraima e no Amazonas, ameaçam expulsar com “arco e flecha” os garimpeiros de sua reserva depois que um homem de 48 anos do povo Ye’kuana foi assassinado no dia 21 de janeiro. 

 

Segundo a versão dos índios, Luís Vicente Carton teria sido morto na frente do filho de 16 anos por homens que queriam ser levados até uma área de garimpo. Vicente teria se recusado a guiá-los e levou um tiro na  cabeça. Também ferido a bala, o filho conseguiu fugir nadando em um rio.

 

Foto: Arte/G1

Reserva fica no extremo norte brasileiro, entre o Amazonas e Roraima. (Foto: Arte/G1)

A Polícia Federal prendeu cinco acusados pelo homicídio, que alegam legítima defesa e não indicaram o paradeiro do corpo. "A vítima foi morta fora da reserva. Os cinco queriam ser levados até um garimpo desativado pela polícia anos atrás, dentro da terra indígena. O pai de um deles havia trabalhado ali", explica o delegado Alan Gonçalves, da  Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Meio Ambiente (Delemaph), que comanda a busca pelo corpo. 

“Nós Yanomami da Região do Paapiú, junto com a Hutukara (associação indígena), estamos avisando a Funai (Fundação Nacional do Índio) e a Polícia Federal para que retirem os garimpeiros imediatamente, senão (...) vamos reagir de forma tradicional, usando nossas armas, como arco e flecha, e a nossa força contra invasores que se encontram na região”, diz nota assinada pelas lideranças indígenas locais. “Estamos cansados de esperar a retirada dos garimpeiros que se encontram ilegalmente na Terra Indigena Yanomami”, prossegue a mensagem. 

 

Ouro e diamantes

 

Mauricio Tomé Rocha, sobrinho da vítima e coordenador da Hutukara Associação Yanomami, disse em entrevista ao Globo Amazônia que haveria cerca de 2 mil garimpeiros na reserva. “Eles tiram ouro, cassiterita e diamantes”, denuncia o indígena.

 

Maurício reclama que nada está sendo feito para retirar os garimpeiros que trabalham na terra, algo que eles pedem há tempos. O coordenador calcula que vivam na reserva 6 mil índios Yanomami e 450 Ye’kuana.

 

Gonçalves afirma que a Polícia Federal trabalha constantemente para retirar os garimpeiros ilegais, mas que é impossível expulsá-los todos de uma vez porque a região é muito vasta.

 

"Alguns deles vêm inclusive de outros países, atravessando a fronteira", explica. Ele discorda de que possa haver 2 mil garimpeiros na Terra Yanomami, já que os garimpos funcionam com poucas pessoas - geralmente, de duas a três. "Seria necessário haver mais de 500 garimpos na terra indígena (para a conta fechar)", argumenta.

 

O delegado enfatiza que a polícia também tem agido para neutralizar financiadores dos garimpos. "É caro manter os garimpeiros num local isolado. Geralmente há alguém por trás que fornece dinheiro para o maquinário, transporte e alimentação", comenta. 

 

A Funai publicou nota informando que um indigenista da instituição foi enviado à Terra Indígena Yanomami para “avaliar a situação da comunidade e possíveis situações de risco e ameaça à integridade física das famílias indígenas que habitam a região”.

 

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