Moradores vizinhos à construção da mina de bauxita de Juruti, a oeste de Santarém (PA), mantém bloqueada desde o último sábado (31) a rodovia PA-192, que dá acesso à futura unidade de beneficiamento do minério. Eles acusam a empresa Alcoa, responsável pelo empreendimento, de poluir um lago e de não cumprir acordos de compensação ambiental.
Segundo nota divulgada pela Alcoa, cerca de mil
trabalhadores estariam isolados, e já faltaria comida e água. O
número de manifestantes, de acordo com a empresa, não chega a
200. Informações fornecidas pelos manifestantes ao Ministério
Público Federal (MPF), contudo, dão conta de que cerca de 800
pessoas protestam na área.
Uma reunião entre os manifestantes e
representantes da mineradora foi marcada para a tarde desta
quarta-feira (04), mas a empresa já adiantou que não negociará
enquanto não ocorrer o desbloqueio da estrada. “A Alcoa não
negocia sobre coação. Não achamos justo esse tipo de atitude
radical”, argumenta em nota Franklin Feder, presidente da Alcoa
para a América Latina e Caribe.
Na visão dos procuradores do MPF, o conflito
poderia ter sido evitado se a empresa tivesse solucionado todos
os problemas ambientais decorrentes da implantação da mina. Em
2005 o órgão entrou na justiça pedindo a anulação do processo de
licenciamento, mas o processo ainda não foi julgado.
Em sua defesa, a mineradora afirma ter investido
R$ 350 milhões no município de Juruti, além do empreendimento já
ter gerado R$ 48 milhões em Imposto sobre Serviços (ISS),
montante que é recolhido e utilizado pela prefeitura local.
Alumínio
O início das operações na mina de Juruti está previsto para este ano. Segundo a Alcoa, o local possui uma reserva de 700 milhões de toneladas de bauxita – matéria-prima para a fabricação de alumínio – figurando como um dos maiores depósitos de bauxita de alta qualidade do mundo. Além das áreas de mineração e beneficiamento, a obra inclui a construção de uma ferrovia e um porto.

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