A exploração ilegal de madeira e a invasão de reservas por
agricultores pode eliminar os últimos índios Awá que vivem
isolados no Maranhão, alerta a ONG inglesa Survival International. A instituição
lançou uma campanha para pressionar autoridades brasileiras e
estrangeiras a proteger esses povos.
Segundo a Survival, cerca de 300 Awás – também
conhecidos como Guajás – já tiveram contato com os não-índios e
vivem dentro de reservas na Amazônia maranhense. Outras 60
pessoas, no entanto, nunca se comunicaram com o mundo exterior,
e formariam uma das últimas tribos brasileiras a viver de forma
nômade, dependendo apenas da caça, pesca e coleta de vegetais
para sobreviver.
Veja álbum de fotos dos índios Awá que já foram contatados .
Mesmo os Awá já contatados sofrem com a pressão de agricultores e madeireiras. (Foto: Fiona Watson/Survival)
Leia Mais: Desmatamento,
obras e doenças ameaçam índios isolados brasileiros.
O padre Cláudio Bombieri, que há 26 anos trabalha
com índios no Maranhão, conta que grande parte das terras já
reconhecidas como indígenas estão ocupadas por fazendeiros.
Segundo ele, além da perda do território, os índios isolados
ainda são ameaçados por doenças. “Eles não têm vacina, nem nada.
Qualquer tipo de gripe poderia matá-los”, alerta.
O isolamento dos Awá é voluntário, segundo
Bombieri. Para se proteger eles evitam inclusive o contato com
índios da mesma etnia. “Eles se recusam [a conversar], pois já
não os reconhecem mais. Vêem que se vestem de uma forma
diferente, o corte de cabelo é outro”, explica.
Faroeste
Em outubro, uma equipe do
Fantástico
checou em campo a denúncia enviada por um internauta ao
Globo Amazônia, e constatou
que o desmatamento consumia as reservas de Guajajara,
Awa-Guajá, Alto Turiaçu e Gurupi, justamente onde vivem os Awá.
A situação na região era tão tensa que o local era chamado por
muitas pessoas de “faroeste maranhense”.
Essas áreas protegidas, na divisa do Maranhão com
o Pará, são um dos últimos locais do estado nordestino onde a
floresta amazônica permanece em pé. “A partir do momento em que
tomaram conhecimento de que as reservas daqui estavam
preservadas, começaram a invadir”, relatou ao Globo
Amazônia um funcionário da Funai que não quis se
identificar.
Segundo o servidor, além de retirar madeira os
invasores interferem na cultura indígena, trazendo bebida e
realizando escambo – troca de mercadorias em que, na maioria das
vezes, os índios saem perdendo. “O índio não está preparado para
essa má influência”, avisa.

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