O coordenador-geral de Índios Isolados da Funai, Elias Biggio,
admitiu que os últimos índios isolados da etnia Awá, que vivem
no Maranhão, sofrem com a pressão de madeireiras sobre suas
terras. Em entrevista concedida ao Globo
Amazônia nesta quinta-feira (5), Biggio afirmou que há
relatos de contatos entre madeireiros e índios que nunca se
comunicaram com o mundo externo. “E eles não são de agora. Desde
2006 temos feito expedições [à região em que vivem os indígenas]
todos os anos”, afirma.
A denúncia de que os Awá corriam perigo foi feita
nesta semana pela ONG inglesa Survival International. Segundo a
organização, um
grupo de 300 pessoas já contatadas e mais 60 isolados vive
acuado dentro de reservas no noroeste maranhense. Eles
seriam ameaçados pela exploração ilegal de madeira e pela
invasão de suas terras por agricultores.
Cerca de 300 Awá contatados e 60 isolados vivem no Maranhão. (Foto: Fiona Watson/Survival)
O contato com o grupo isolado pode ter consequências desastrosas. Além de afetar sua cultura e mudar para sempre seu modo de vida, há o risco de doenças. O sistema imunológico deles não está preparado para se proteger de doenças simples, e uma gripe pode causar a morte de toda a tribo, como ocorreu com milhares de indígenas ao longo da história brasileira.
Leia mais: Desmatamento,
obras e doenças ameaçam índios isolados brasileiros.
O coordenador da Funai confirmou a existência dos
Awá isolados no Maranhão, mas afirmou que não é possível saber o
número exato deles, já que a fundação tem a política de não
contatar essas pessoas. Segundo Biggio, a Funai tem organizado
expedições em conjunto com a Polícia Federal para retirar
madeireiros clandestinos da região. “Temos que conseguir
expulsá-los de forma definitiva. Temos insistido na extrusão”.
Para o padre Claudio Bombieri, que desde 1983
trabalha com índios no Maranhão, as operações realizadas pela
Polícia Federal surtem efeito momentâneo, mas depois os
madeireiros voltam. “Não há um sistema de vigilância para essas
terras”, afirma. Para Biggio, a solução estaria em realizar mais
fiscalizações. “Temos que repetir operações, uma vez que não
conseguimos a expulsão definitiva”, avalia.
Ilha de floresta
Desde 1987, a Funai evita estabelecer comunicação
com índios isolados. Assim como os Awá, a maioria dos povos que
não têm contato com o mundo externo vive dentro de reservas.
Apesar de saberem da existência de outros povos, essas tribos
usam o afastamento para se proteger.
Segundo o coordenador da Funai, a situação dos Awá
é uma das mais críticas entre os índios isolados brasileiros,
pois eles vivem em uma pequena ilha de floresta cujos arredores
já foram devastados. “Se essa reserva florestal é destruída,
eles não têm para onde fugir.”

O Portal de Notcias da Globo