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06/02/09 - 10h23 - Atualizado em 06/02/09 - 11h46

Funai admite ter relatos de contato entre madeireiros e índios isolados do MA

ONG internacional denunciou situação de risco de povos indígenas.
Contato com isolados pode trazer doenças e destruir cultura.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O coordenador-geral de Índios Isolados da Funai, Elias Biggio, admitiu que os últimos índios isolados da etnia Awá, que vivem no Maranhão, sofrem com a pressão de madeireiras sobre suas terras. Em entrevista concedida ao Globo Amazônia nesta quinta-feira (5), Biggio afirmou que há relatos de contatos entre madeireiros e índios que nunca se comunicaram com o mundo externo. “E eles não são de agora. Desde 2006 temos feito expedições [à região em que vivem os indígenas] todos os anos”, afirma.

A denúncia de que os Awá corriam perigo foi feita nesta semana pela ONG inglesa Survival International. Segundo a organização, um grupo de 300 pessoas já contatadas e mais 60 isolados vive acuado dentro de reservas no noroeste maranhense. Eles seriam ameaçados pela exploração ilegal de madeira e pela invasão de suas terras por agricultores.

 

Foto: Fiona Watson/Survival

Cerca de 300 Awá contatados e 60 isolados vivem no Maranhão. (Foto: Fiona Watson/Survival)

O contato com o grupo isolado pode ter consequências desastrosas. Além de afetar sua cultura e mudar para sempre seu modo de vida, há o risco de doenças. O sistema imunológico deles não está preparado para se proteger de doenças simples, e uma gripe pode causar a morte de toda a tribo, como ocorreu com milhares de indígenas ao longo da história brasileira.

 

Leia mais: Desmatamento, obras e doenças ameaçam índios isolados brasileiros.

O coordenador da Funai confirmou a existência dos Awá isolados no Maranhão, mas afirmou que não é possível saber o número exato deles, já que a fundação tem a política de não contatar essas pessoas. Segundo Biggio, a Funai tem organizado expedições em conjunto com a Polícia Federal para retirar madeireiros clandestinos da região. “Temos que conseguir expulsá-los de forma definitiva. Temos insistido na extrusão”.

Para o padre Claudio Bombieri, que desde 1983 trabalha com índios no Maranhão, as operações realizadas pela Polícia Federal surtem efeito momentâneo, mas depois os madeireiros voltam. “Não há um sistema de vigilância para essas terras”, afirma. Para Biggio, a solução estaria em realizar mais fiscalizações. “Temos que repetir operações, uma vez que não conseguimos a expulsão definitiva”, avalia. 

Ilha de floresta

 
Desde 1987, a Funai evita estabelecer comunicação com índios isolados. Assim como os Awá, a maioria dos povos que não têm contato com o mundo externo vive dentro de reservas. Apesar de saberem da existência de outros povos, essas tribos usam o afastamento para se proteger.

Segundo o coordenador da Funai, a situação dos Awá é uma das mais críticas entre os índios isolados brasileiros, pois eles vivem em uma pequena ilha de floresta cujos arredores já foram devastados. “Se essa reserva florestal é destruída, eles não têm para onde fugir.”

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