Grande parte dos alimentos consumidos por europeus causam impacto
à floresta na América do Sul. Defendendo essa tese, a rede de
ONGs WWF, que atua em vários países do mundo, inclusive no
Brasil, quer convencer a população européia a prestar mais
atenção no que eles compram no supermercado.
“É muito fácil falar que os brasileiros são
culpados pela destruição. Não são. É uma cadeia de compra e
venda. Se destruímos a floresta para produzir soja e carne, é
porque existe uma demanda violenta por soja e carne. Nosso
objetivo é mostrar que o consumidor tem parte nesse problema”,
explica Mauro Armelin, Coordenador do Programa de Apoio ao
Desenvolvimento Sustentável da WWF-Brasil.
Destruição ambiental causada por produção agropecuária traz custos à sociedade. Presrvação deve ser bancada por consumidor, defende WWF. (Foto: Valter Campanato/ABr)
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Para provar sua teoria com números, a rede WWF encomendou um
estudo na Holanda. A pesquisa “Mantendo a floresta amazônica em
pé: uma questão de valores” concluiu que o desmatamento da
Amazônia causa problemas que causam gastos à sociedade. Só a
erosão de um hectare, por exemplo, geraria um custo de R$ 537
por ano. O raciocínio também pode ser inverso: a preservação de
um hectare de floresta poderia render esse valor anualmente por
conter a erosão.
Segundo Armelin, o custo desses problemas
ambientais deveria estar embutido no preço dos alimentos
comprados pelos europeus. “Quando se compra um quilo de soja,
ele não paga pelas externalidades, que são o desmatamento, a
perda da biodiversidade, a erosão”, argumenta.
Para resolver o problema, o WWF quer que os
consumidores se disponham a pagar mais por produtos
ecologicamente corretos, em que o preço da conservação ambiental
seja inserido no custo. “O que se propõe mudar é que os países
consumidores passem a se perguntar como aquilo está sendo
produzido. E que eles possam pagar um preço maior, para que seja
produzido obedecendo a legislação local, como as reservas, as
áreas de proteção etc.”

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